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Roda de conversa ENSINO DE ARTES, com o Profº Rodrigo Kafungeji

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Exposição Paisagens de Lance

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A exposição Paisagens de lance é composta por artistas pesquisadores que na maioria tem vínculo com a Universidade Federal do Pará e estão juntos no grupo de pesquisa Antropologia das Paisagens: Memórias e Imaginários na Amazôniacoordenado pelo antropólogo e professor da Faculdade de Ciências Sociais (Instituto de Filosofia e Ciências Humanas), Flávio Leonel Abreu da Silveira em parceria com Rosangela Britto, docente da Faculdade de Artes Visuais (Instituto de Ciências da Arte).

A exposição está sendo utilizada como um meio de difusão das pesquisas etnográficas e artística realizadas pelos participantes do grupo e pretende destacar a polissemia do termo- paisagens- e associada a expressão “de lance”, pretende propor diversas acepções como: pôr-se em movimento/processo-lançar-se a; jogada;  ato ou efeito de lançar-se e ser lançado expressas em desenhos, fotografias, vídeos, instalações. Produções realizadas por: Camila Fialho e José Viana (Raio Verde), Flávio Abreu da Silveira, Fernanda Martins e Sâmia Batista, Hugo Bergeron, José Messias de Sousa, Véronique Isabelle, Lanna Lima, Messias Lima de Aviz, Madalena D’O Felinto e Geraldo Ramos, Rosângela Britto, Tê Ribeiro.

Ao total temos 11 obras. Esses trabalhos nascem do diálogo entre a antropologia e a arte, dos interstícios da escrita e da fotografia, do desenho, do registro fílmico, dos entre caminhos. Dentre elas, o documentário produzido na oficina de filme etnográfico realizado por Pedro Paim, intitulado “Gentes Peixes e Aves”, que apresenta as relações dos urubus e garças com as pessoas na feira do Ver-O-Peso, parte da pesquisa etnográfica de Flávio Leonel Abreu da Silveira, que apresenta as relações interespecíficas envolvendo coletivos humanos e não-humanos na cidade de Belém, a partir de uma abordagem antropológica. A partir deste documentário, Tê Ribeiro criou uma máquina artesanal que expõe 22 imagens destas relações entre humanos e não-humanos na feira, mas ao traze-las num novo suporte, permitirá ao público através de seu olhar, sobrepor as imagens do Ver-O-Peso com o cenário do entorno do museu.

Os barcos e os rios amazônicos, ou seja, as letras vernaculares das embarcações regionais, criadas pelos mestres “Cita”, Ivair de Cordeiro, Luís Junior, Antonio Ray, Elcio Santos serão expostas na obra intitulada “Letras que Flutuam”, das designers Fernanda Martins e Sâmia Batista, que realizaram pesquisa visual  em diversos municípios ribeirinhos, nas regiões de Santarém, Marajó, Belém e Salgado, todos no estado do Pará, em 2014.

Nos caminhos dos rios regionais, Véronique Isabelle, nos apresenta em vídeo, intitulado “Flor d’água, Belém”, o processo de construção da canoa revela uma abordagem metodológica peculiar no trabalho de campo. Foi um momento intenso de encontros e trocas, no qual a artista/antropóloga se coloca como aprendiz, acompanhando todo o processo de criação da canoa, prestando atenção aos saberes e fazeres, aos gestos e técnicas envolvidos assim como aos vários elementos que definem o cotidiano na ilha. Cada etapa da criação da canoa constituiu o traço de um mesmo desenho, uma obra muito mais ampla do que a própria canoa, esta se deu apenas como um veículo, uma embarcação que possibilitou os encontros entre pessoas, as trocas de saberes- fazeres e vivências, e agora de navegar.

Messias Lima de Aviz e José Messias de Souza realizaram desenhos sequenciais baseados nas narrativas de Pedro Soares Souza (63 anos pescador), de Domingos Ferreira da Silva (67 anos pescador) e de José Messias de Souza (35 anos). Eles são provenientes do processo de ensino-aprendizagem e de pesquisa, realizado a partir da disciplina Antropologia Visual e da Imagem (ministrada no Programa de Pós Graduação em Linguagens e Saberes na Amazônia - Bragança), junto à discente Myrcéa Carolyne Guimarães da Costa. O trabalho intitulado “Ataíde: O encantado dos manguezais: olhares singulares e situados sobre a criatura”, refere-se a representação gráfica de  dois jovens moradores do interior de Bragança, que registraram imageticamente as narrativas acerca do monstro que habita a zona de manguezais do município, a partir do relato de dois narradores idosos. O ser hediondo, cujos atributos sexuais hiperbólicos são motivo de terror entre pescadores e catadores de caranguejo, especialmente diante da violação dos corpos, vaga pelos manguezais causando medo e respeito entre os moradores locais.

Também, nesta vereda Lanna Lima apresenta os cadernos de fotografias intitulados “nervuras”, texturas como aqueles que percorrem as folhas, unem e nutrem suas metades. Uma etnografia sobre a relação cotidiana de mulheres e plantas em Salvaterra, no Arquipélago do Marajó, por imagens. Inspirada na estrutura própria de constituição de um imaginário mítico e místico em torno do feminino e da flora da/na região, a pesquisadora/artista desenvolve um trabalho de (des)construção da imagem visual através dos processos analógicos e artesanais da fotografia, entrecruzando as raízes de mulheres, plantas e imagens.

A obra "Praça da Sé" (Série estudos do cotidiano), 2016, de Rosangela Britto é composta por desenhos e a paisagem sonora constituída a partir das narrativas do Sr. Lili e da Kátia, vendedores de água de coco e proprietários da “barraca do Abaeté II” e da “Barraca da Loira” situadas em frente ao Espaço Cultural Casa das Onze Janelas, onde se realizará a exposição na Sala Gratuliano Bibas. Os desenhos de Rosangela Britto fazem parte da série da pesquisa etnográfica e artística das relações dos grupos sociais urbanos com o espaço urbano patrimonializado e musealizado, iniciada em 2014.

A videoinstalação de Madalena D’O Felinto e Geraldo Ramos, intitulada “Como desarquivar um arquivo”, 2016. É composta por imagens do arquivo de Geraldo Ramos, fotografias registradas em negativo fotográfico e cromo entre os anos 1980 e 1983 do entorno do Espaço Cultural Casa das Onze Janelas, associadas às fotografias de 2015 da paisagem local registradas por Madalena D’O Felinto, com trechos do poema Paisimagem (Madalena D’O Felinto) e inserções de textos científicos que abordem o conceito de desarquivamento das paisagens da memória.

A noção de paisagem que transversaliza a exposição se presentifica expressivamente pelos quatro elementos da natureza: água, ar, fogo e terra. Em especial na instalação “Colônia (ou como tirar leite de pedra)”,  água, semente, carvão, osso e estéril, potes de vidro e cortiça, 2016. Elaboradas por Camila Fialho e José Viana, a obra composta por cinco elementos simbólicos oriundos de diferentes paisagens da Amazônia contemporânea paraense são acondicionados em potes de vidro, etiquetados e dispostos em prateleiras para comercialização. Os produtos trazem uma cartografia da região e buscam aproximar paisagens em transe, agenciadas pela dinâmica industrial praticada no Estado do Pará, em um jogo de gourmetização de materiais de baixo valor agregado.

O artista canadense, Hugo Bergeron, produziu em 2014 uma paisagem, pintura acrílica sobre tela . A obra é resultado da residência de criação no quadro do projeto "Do Norte ao Norte", que reuniu cinco artistas do Canada na cidade de Belém.

A exposição será aberta ao público dia 18 de Agosto, às 19 horas , na Sala Gratuliano Bibas , do Espaço cultural Casa das Onze Janelas e é uma realização do Governo do Estado através da Secretaria de Cultura e do Sistema de Museus por meio de um projeto de extensão aprovado pela Pró-Reitoria de Extensão da UFPA, coordenado pelas docente Rosangela Britto e a diretora do Espaço Cultural Casa das Onze Janelas e professora da Faculdade de Artes Visuais, Heldilene Reale.

A mostra ficará aberta ao público no período de 19 de agosto até 25 de setembro, no horário de terça a sexta, das 10h às 16h, sábados, domingos e feriados, no horário das 9h às 13h.

Texto: Coletivo do Grupo

Contatos:

Flávio Leonel Abreu da Silveira: 980704641, O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Heldilene Reale, 988687658.